Quanta expectativa para conseguir ler a primeira palavra em algum outdoor enquanto andava de carro com meu pai... Essa expectativa me acompanhou por meses, enquanto estava na pré-escola. Sempre pedia para meu pai andar mais devagar, para que eu conseguisse ler minha primeira palavra em alta velocidade... Ele sempre me respondia: “Isso acontecerá quando você menos esperar! Continue tentando!”
Certo dia, voltando da igreja com meus pais, como um milagre, a primeira palavra escrita foi lida por mim, como num piscar de olhos: “Colgate”! Era um outdoor de propaganda da referida pasta de dente.
Essa memória sempre me acompanhou, porque a partir daquele dia, descobri um mundo novo, repleto de ações, emoções, sonhos e descobertas, que foi possível a partir da palavra escrita.
Ler sempre foi uma das minhas paixões e um hobby... Escrever também! Acredito que através da palavra escrita, podemos viajar pelo tempo, ressignificar o passado, experienciar o presente e repensar o futuro.
Quando narramos ou lemos narrativas, na perspectiva de Walter Benjamin, tornamos possível o entrecruzamento de tempos e espaços, de experiências e de sujeitos.
Acredito que a minha segunda maior experiência com a palavra escrita tenha sido no meu primeiro ano enquanto docente de Física, quando pedi para os meus alunos, no primeiro dia de aula em uma terceira série do Ensino Médio, escreverem sobre si e sobre suas expectativas com a disciplina de Física e com a finalização desse nível de ensino, repetindo o mesmo processo no último dia de aula, agora com as memórias de um passado recente. Os alunos, ao lerem suas narrativas, distantes temporalmente em quase um ano, ficaram surpresos e se admiraram com o que haviam escrito, desejado, pensado, alcançado. Foi uma experiência, possibilitada pela leitura e escrita das próprias narrativas dos alunos, emocionante e engrandecedora!!
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